Negociação de Patrocínio rende grande visibilidade a Yogoberry

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Série de TV tem algo em comum com ação de Carnaval que homenageou a Coréia do Sul.

Nossa experiência de negociação com a Coréia do Sul, lembra em muito a posição de Jang Geu-rae, o jovem aprendiz da famosa Série Sul Coreana, "Vida Incompleta”, que tinha insights sobre os impasses de suas lideranças. 

Jang Geu-rae, jovem principiante que trabalha numa grande empresa de varejo, Sul Coreana, aplica métodos aprendidos no jogo de tabuleiro, Baduk numa série sobre negócios que expõe as entranhas de um mercado relativamente "novo" no mundo capitalista do Oriente mas com formatos retrógrados, estranhamente ultrapassados.

 

Quem já teve contato de negócios com a Coréia do Sul sabe que não é nada fácil, pra nós aqui no Ocidente, lidar com a cultura business deles. Mas a série mostra a fragilidade deste mercado, que na Série se mostra muitas vezes, equivocado e desagradável.

Série de TV Sul Coreana "Vida Incompleta" nos inspirou a contar este "case". 

O FATO

Nosso contato com sul-coreanos aconteceu quando Lucia, Judice, assumiu a Diretoria de Marketing de uma Escola de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, em 2013. O Enredo seria patrocinado por empresas e/ou governo Sul Coreano por meio de negociação iniciada com o então embaixador da Coréia do Sul no Brasil, Bon Woo Koo, em São Paulo. Como noticiaram os sites, à época, de fato o patrocínio do enredo foi fechado e firmado, mas não honrado pelos patrocinadores.

 

A negociação foi dura e confusa e envolvia, fundamentalmente, uma mudança política no quadro paulista de lideranças sul-coreanas. Mas, o que mais impressionou Lucia, foi ter acompanhado minuciosamente os acordos e reuniões, no silêncio de quem observa, como faz o jovem aprendiz Jang Geu-rae (interpretado brilhantemente por Im Si-wan) na Série, e ver tantas semelhanças com as dificuldades de fluxo de negociação.

 

"Minha participação tímida, no início, deu-se porque cheguei à Escola de Samba já com a decisão do enredo e a negociação em andamento. Além disso, na qualidade de Diretora e mulher, não fui muito solicitada pela equipe sul-coreana que preferia sempre reportar-se ao Presidente. Apenas quando a negociação parecia despencar, fui solicitada e fiz tentativas em vão de chegar diretamente às empresas como Samsung e Hyundai que, a esta altura, já sabiam que o enredo de comemoração da imigração sul-coreana no Brasil (As sete confluências do Rio Han - 50 anos da imigração sul-coreana no Brasil) aconteceriam no maior espetáculo da Terra, com ou sem aporte financeiro." conta Lucia.

Enredo sobre os 50 anos da imigração Sul Coreana para o Brasil, teve patrocínio firmado mas não honrado. 

Assim como na série Sul Coreana, Vida Incompleta, Lucia deu um único e definitivo conselho, ao pé do ouvido das lideranças da Escola, que negociavam diretamente com São Paulo:

 

"Não deixem claro que o enredo acontecerá, com ou sem o patrocínio deles.” 

Além disso alertou nossa equipe para a dificuldade imposta pela negociação feita por meio de tradutor já que mesmo instalados há algum tempo em São Paulo, os executivos Sul Coreanos não tencionavam tentar falar nem em inglês, nem muito menos em português. O conselho não foi ouvido por Reginaldo Gomes, presidente da Escola, e entendemos o que havia na decisão. Em função de tranquilizar os 3.000 membros da agremiação e sua comunidade, lançou mão da franca estratégia de negociação.

 

Para nós, mortais do antigo capitalismo do Ocidente, a desonra de não ter um centavo aportado num enredo destes e já fechado diante de toda a imprensa, era impossível de ser assumido pelas autoridades envolvidas na negociação. Reginaldo Gomes não quis reproduzir o incômodo distrato à uma enorme e dedicada equipe que, ao contrário da pequena Terceira Equipe de Vendas do Sr. Oh, na Série, não teria chances de se recuperar das perdas emocionais de falência de um trato para garantir o Carnaval que estreava, no Grupo Especial do Rio. 

 

Já em vias do Carnaval da Inocentes de Belford Roxo ir para a avenida, desfilar, foram dadas claras declarações à imprensa, de que as autoridades não seriam bem recebidas no desfile da Escola o que, aparentemente não abalou o resultado final de ter o grande espetáculo acontecendo sem um centavo de patrocínio.

Mas, heis que a "mulher aprendiz" têm uma idéia. No carro de alegoria que representava o navio “Titcharenka” que trouxe os imigrantes coreanos para o Brasil, havia fotografias antigas. O Carnavalesco Wagner Gonçalves foi consultado e autorizou que eu colocasse em prática meu plano. Em vez de fotos de arquivo, procurei junto à empresas menores ligadas aos coreanos do Rio, fotos de álbuns de família. Un Ae Hong, então com 58 anos e a frente da empresa Yogoberry, emocionou-se pois parentes próximos tinham chegado ao país nesta embarcação e, prontamente, teve a iniciativa de patrocinar parte do desfile. O apelo ligado a seus parentes e o próprio orgulho de ver seus ancestrais homenageados, tornou a indignação desta executiva ainda maior. Diante do desagradável ocorrido que deixou a Escola sem apoio da comunidade coreana, Un Ae Hong sentiu-se mais envolvida.  A esta altura, era claro que o que falou mais alto além do senso de oportunidade para sua marca, foi o estilo já absorvido, no Brasil, pela executiva que entendia especialmente a forma de linguagem de nossas propostas sem nenhuma necessidade de “tradução cultural”. 

  • Na passagem do Carro Alegórico do Navio, e as alas próximas onde todos da Yogoberry estavam,  eu mesma me pus a postos na avenida, chamando com agilidade os jornalistas para que cobrissem, ao vivo, a passagem emocionante de uma filha e neta de imigrantes no destaque do carro, com a foto de seus parentes em gigantografia. A mídia impressa e televisiva adorou e noticiou, dando à empresa então com pouco apelo junto à comunidade coreana no Brasil, enorme destaque.O aporte financeiro dado pela Yougoberry não custeou todo o Carnaval em homenagem à Coréia do Sul mas caiu como um alento e hoje, vendo a série “Vida Incompleta”, do autor Tae-ho Yoo, entendo o que sente o Sr. Oh (Lee Sung-min) quando perde uma negociação mas atinge um foco ético. 

A “família Yogoberry” teve um apoio especial da área de Marketing da Escola de Samba que rendeu um Prêmio Top Of Business em 2013. Ações inéditas de merchandising, sample e outras, criaram oportunidades à marca e experiência inédita aos colaboradores e parceiros de negócios da Yogoberry.  Uma negociação dura que terminou com muitos aprendizados para ambos os lados já que nem sempre, ganhar ou perder dinheiro, significa ganhar ou perder valores, no mercado.

Rio de Janeiro | RJ
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